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Matéria – A nova realidade ao alcance da mão

10 February 2010 No Comment

Você vê, na tela, se a roupa lhe serve. Ou descobre a agência de banco mais próxima. A Realidade Aumentada vai além do marketing.

Por Alice Sosnowski – Diário do Comércio

Várias telas de LCD, uma webcam, um sensor de movimento e a tecnologia de Realidade Aumentada fizeram parte da criação do “Reebok Bubbles game”. Foi uma sensação, apresentada pela marca de tênis durante a última Couromoda, feira internacional de calçados realizada em São Paulo no final do mês passado. Para jogar, não era preciso muito. Tudo que o visitante tinha a fazer era se posicionar com o tênis na mão em frente ao painel. Bolas de sabão virtuais escorriam pela imagem e o jogador tinha de lançá-las para cima com o tênis funcionando como se fosse uma raquete. Diversão garantida e chamariz imediato. Quem deixasse menos bolinhas cair no chão, entrava para o ranking dos melhores jogadores com direito a brinde. Além de chamar a atenção dos visitantes, o game mostrou que a Realidade Aumentada vai além das ações feitas pela internet.

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Ayres, OPTDigitais (Universidade Federal da Bahia – UFBA): “Ano frutífero para aplicações de RA em shoppings, restaurantes ou mercados”.

“Depois do boom na web no ano passado, 2010 promete ser um ano frutífero para aplicações de Realidade Aumentada em shoppings, restaurantes ou mercados”, aposta o pesquisador Marcel Ayres, do Observatório de Publicidade em Tecnologias Digitais (OPTDigitais), ligado à Universidade Federal da Bahia (UFBA), e Diretor de Criação da agência PaperCliQ, de Salvador.

Montagem sem esforço

Fora do Brasil, algumas experiências no comércio já servem de exemplos bem sucedidos — que, com um pouco de imaginação, podem ser reproduzidos em vários ramos. Um é o caso da loja Lego nos Estados Unidos. Com dificuldades para mostrar aos consumidores o que poderia ter de interessante dentro de uma caixa com peças desmontadas, a Lego instalou um totem dentro da loja com uma webcam. Ao apontar o código da caixa para o totem, o comprador via a imagem em terceira dimensão de um helicóptero (veja aqui), possível de montar com as peças daquela caixa. O fascínio do brinquedo montado — uma possibilidade tornada realidade instantânea — era transmitido sem a necessidade de usar tempo e trabalho de um ou mais funcionários, além de ocupar o espaço com inúmeros brinquedos reais montados na loja. Essa era a estratégia antiga, bem mais trabalhosa e de custos altos.

Provadores virtuais

Outro exemplo de sucesso vem do e-commerce, o comercio digital na internet. A tecnologia mescla Realidade Aumentada com captura de movimento para criar um provador virtual. O cliente se posiciona em frente à webcam e, apontando um símbolo impresso na roupa que quer experimentar, visualiza o modelo virtualmente por cima de sua imagem, como se estivesse experimentando a roupa de fato. Além do aspecto de brincadeira, diversão, há outras  vantagens em relação ao provador físico: o usuário pode ainda mudar a cor, as combinações de cores e o estilo do modelito. Basta apertar botões virtuais com simples movimentos de braço. E não é preciso cortina, espelho nem espaço físico na loja.

Este é um bom exemplo de como a realidade virtual pode melhorar a experiência de compra online e iniciar um movimento destinado a aumentar vendas. Bom para o cliente, que fica satisfeito com a experiência. Ótimo para o comércio, que ganha uma oportunidade a mais de vender. (veja como funciona a ferramenta – clique aqui

Futuro móvel

Para os especialistas, o futuro da Realidade Aumentada está nos dispositivos móveis. Com a popularização de smartphones e celulares com câmera, aplicativos de Realidade Aumentada têm surgido com frequência nas lojas virtuais, como a Apple Store (que fabrica o popular iPhone e a novidade em tablet, o iPad). A primeira ferramenta brasileira de Realidade Aumentada pensada para o iPhone surgiu no final do ano passado com a marca do banco Bradesco. Usando geolocalização (por meio de GPS embutido no aparelho) e a tecnologia da Realidade Aumentada, a marca produziu o aplicativo “Presença”, que não só avisa como mostra ao cliente em que pontos do País estão os estabelecimentos do banco mais próximos dele. Uma bússola virtual sobreposta ao cenário real aponta por meio de setas a direção e a distância entre o cliente e a agência Bradesco mais próxima (Para ver o funcionamento do aplicativo, veja:

Possibilidades infinitas

Para o consultor de tecnologia móvel, Guilherme Tsubota, a adoção da Realidade Aumentada pelos telefones celulares tem chances promissoras de sucesso.

“Além do hardware mais preparado, as pessoas tendem cada vez mais a migrar do computador para os celulares”, afirma ele.

Tsubota explica ainda que o uso de realidade aumentada pelo telefone tem possibilidades infinitas. “O usuário pode, por exemplo, apontar o aparelho para um quadro em um museu e obter de imediato mais informações sobre ele. Ou visitar uma loja e pesquisar produtos relacionados ao seu interesse a partir de um só lugar”, conta Tsubota.

Guilherme Tsubota, consultor: as pessoas tendem a migrar para os celulares. Segundo ele, é para aí que vão as tecnologias da Realidade Aumentada.
Guilherme Tsubota, consultor: as pessoas tendem a migrar para os celulares. Segundo ele, é para aí que vão as tecnologias da Realidade Aumentada.

Diz ele, carregado de razão, que a Realidade Aumentada vai muito além da simples promoção de um produto. “O objetivo primordial da tecnologia é envolver o ser humano no mundo digital criando uma experiência rica e ampliada”, explica. Sabendo usar, a tecnologia pode não apenas potencializar vendas, mas mudar a forma como interagimos com a realidade.

Mais matérias sobre RA:

Realidade aumentada: um novo mundo à sua disposição – CLIQUE AQUI

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